Minha História: Entrevista com a Kah Rocha, do coletivo Afro Culture

A Karla Rocha é de São Luiz do Maranhão, é preta, turbanista, afroincentivadora e afroempreendedora. Dona de um cabelo lindo, e de um coletivo inspirador, o Afro Culture, ela topou conversar comigo e conceder uma entrevista para o blog. O resultado você encontra aqui:

5 perguntas para a Ka Rocha

1 – Por que você decidiu fazer coletivo? Há quanto tempo você ele existe?

Diante de uma sociedade em que negros africanos vivendo em diáspora neste país, foram obrigados por séculos e séculos a negarem sua identidade através da própria negação de si mesmo, por meio da religiosidade, bem como da estética, tem sido crescente o uso do cabelo natural. Devido a isso, surgiu a ideia de fazer um coletivo Afro voltado para este termo.

Entretanto, uma vez que, a educação dada em solo brasileiro possui base e consolidação eurocêntrica, negras e negros, crescem sem a contextualização de seus símbolos de resistência, bem como de sua história. Pela ausência de representatividade tanto na escola, como fora dela, por meio da mídia, jovens negras acabam tendo como referencial de beleza a europeia, cabelo liso, traços finos, pele clara. O que acaba forçando-as a se encaixarem num padrão de beleza que não condiz com o seu natural e a se submeterem a procedimentos químicos, como o alisamento. O coletivo propõe desconstruir essa ideia, e ajudar o negro a assumir os seus cabelos como um ato politico.

O Grupo foi fundado no dia 27/09/2015, e temos um desenvolvimento maravilhoso. Isso nos motiva e encoraja para repassar aprendizados ainda mais.

2 – Qual é o propósito do Coletivo?

No contexto de aceitação, buscamos uma mudança social; levar informações de conscientização, construção e fortalecimento da identidade cultural enquanto mulher negra, por meio da valorização de sua estética, assim como de sua ancestralidade nas mais diversas formas. Reforçar valores, fortalecer a auto estima de Mulheres Pretas, e aprender umas com as outras.

3 – Já que o meu blog fala sobre cabelo, vamos falar sobre o seu. Qual é a sua história? Como é a sua relação cabelo?

Lembro bem do dia em que escolhi deixar o meu cabelo natural! Uma escolha que partiu de dentro para fora, não por questões de estética, mas por motivos pessoais e claro, havia uma curiosidade já que sempre me escondia por trás de um padrão dominante! Alisava os cabelos desde os 12 anos, passei 10 anos de minha vida dependendo de produtos químicos e a única cousa que eu sabia pensar era: “Tenho que baixar meu volume, nunca que irei sair com esse fuá pelas ruas”. O tempo foi passando, e ao longo dele eu vim construindo a minha verdadeira auto estima e desvendando a minha coragem aos poucos. Se eu quero, eu consigo! Esse era o meu dilema. Sim; eu era linda de cabelo liso, e eu me sentia bem daquela forma, até que andar contra os meus princípios pela simples questão de descobrir-se veio à tona. E sabe, eu nunca mais quero me enquadrar em padrão nenhum para agradar algo/alguém. Aprendi que aceitação é um ato político, quando me refiro ao meu cabelo Afro, estou citando uma série de fatores ligados a minha ancestralidade e que me fez ser essa mulher livre e cheia de brilho próprio. Eu realmente me transformei, e ainda pretendo aprender mais com cada fase de mudanças repletas de aprendizado. Porque ser empoderada na sociedade hoje, e escolher ter o cabelo crespo é um ato de resistência ❤

4 – Quais são os seus cuidados típicos com o cabelo em uma semana?

Lavo o meu cabelo duas vezes na semana, e nas duas vezes sempre hidrato. Pelo fato dele ter uma textura mais fina sempre fica mais embaraçado, então considero as hidratações os segredinhos para mantê-lo sempre definido e com volume.

Opto pela técnica do Now Poo (Shampoo sem Sulfato), a  minha textura é tipo 4b forma cachos bem delicados e hiper definidos, às vezes por ser um crespo tão criterioso, opto por essa técnica para evitar o ressecamento em meus fios, já que das vezes que eu usei Shampoo com Sulfato senti uma diferente enorme (ele resseca muito). Lembrando que esses são cuidados com o meu cabelo, nem sempre os cabelos correspondem igualmente a tratamentos ou indicações de produtos.

Os cremes que uso desde a transição capilar, que não os troco e tenho resultados surpreendentes com os meus fios é: CASULÃO. Sou apaixonada por esse creme, o de abacate então *-* alem de deixar um brilho, o seu cabelo fica com o cheiro extremamente agradável. Em segundo lugar (hahahaha) o Kanechon. Esses produtos são otimos para fazer misturinhas naturais, de verdade.  Uso a linha da embalagem cor de rosa (Ceramidas – Reestruturação) e meu cabelo me surpreende! Atribuo apenas o condicionador, e a máscara, e a linha Now Pow da embalagem branca. Procurem na cidade de vocês e abusem desses dois produtos, é um vicio tudo de bom. Amo óleos, e não abro mão de um borrifador e pente garfo na bolsa (digo que é a minha peça chave na necessaire). :D

5 –  Onde a gente te encontra online?

Facebook: Karla Rocha

Instagram: @karleixon

~ E o Coletivo AfroCulture

Facebook: www.facebook.com/Afroculture1

Instagram: @afroculture_

Siteblogger: https://afroculture9.wixsite.com/afcult

Stephanie Pereira

Stephanie Pereira

She is just a girl, and she's on fire.

1 comentário

  • Karla Rocha
    Março 12, 2017 em 9:39 am

    Amor define! Obrigada pelo compartilhamento, e pelo apoio, preta.
    Estamos juntas nessa ♥

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