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As tranças nagô e as escravas brasileiras

tranças nago

Olá, pessoal! Sejam bem vindos a mais um texto do blog cabelo afro, hoje falamos um pouco sobre as tranças nagô e seu significado em especial para as escravas brasileiras.

O que são as tranças nagô?

Você certamente já viu tranças na vida e sabe como elas são bem características, sempre o cabelo entrelaçado formando uma espécie charmosa de cordinha na cabeça de quem usa. Geralmente as tranças são soltas e seu movimento é bastante único e bonito.

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No entanto, apesar de seguir a característica “cordinha” das traças, as tranças nagô se caracterizam por serem bem rentes, coladas ao couro cabeludo e possuem diversos desenhos possíveis.

Por que as tranças nagô têm esse nome?

Iniciada a época de tráfico de escravos vindos da África, várias denominações eram dadas para identificar as etnias traficadas pelos europeus, dentre elas: Jeje, Fulas, Angolas e Nagô. Nagô era o termo utilizado para designar os negros que vinham da costa e que falavam Iorubá.

As tranças nagô foram amplamente adotadas um tempo depois por mulheres brancas europeias apenas por um senso estético, sendo muito difundido entre as mulheres gregas e norte americanas, depois da difusão da cultura negra nos anos 1960 e 1970, caminhando lado a lado com o movimento hippie, originário de jovens brancos de classe média.

O significado das tranças nagô

Claro que para os negros as tranças nagô não possuíam puramente um valor estético de embelezamento de quem usa. Assim como os dreads, as tranças nagô possuem diversos significados para as comunidades que utilizam/utilizavam, havendo desenhos para simbolizar uma família inteira, o estado civil, específicos para cerimônias religiosas e até para simbolizar problemas pessoais. No meio disso, existe uma função um tanto inteligente para as tranças nagô.

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Antes mesmo de virem para o Brasil, os negros possuíam, desde muitos séculos atrás, a necessidade de se locomover em grandes distâncias em busca de alimento e água, em uma paisagem africana cheia de perigos. Por isso, trilhas e rotas eram desenvolvidas e por muitas vezes as tranças nagô eram utilizadas, através dos desenhos que formava na cabeça, como mapas auxiliares de caminhada por essas trilhas. Chegando no Brasil, advindas do desumano tráfico de escravos pelos portugueses, as tranças nagô passaram a ser usadas também para criar mapas com rotas de fuga dos engenhos, um truque engenhoso que enganava até o mais esperto dos senhores.

As tranças nagô e a apropriação cultural

O termo apropriação cultural está bastante em alta no momento. É entendível que as pessoas possuam a tendência de não ligar em fazer essa mistura entre estéticas étnicas, sobretudo em um país miscigenado como o Brasil. No entanto, é necessário ter a consciência de que certos elementos étnicos representam para um povo, uma raça, valores de resistência e manutenção de sua memória, não apenas algo estético a ser explorado pela industria que sempre visa, acima de tudo, o lucro.

A história das tranças nagô, assim como os dreads e muitos outros penteados étnicos é de um peso enorme. Portanto, é necessária a reflexão de que a história desses elementos é muito maior do que se olhar no espelho e se sentir bem.

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