A importância do cabelo afro no movimento negro

A importância do cabelo afro no movimento negro

O cabelo afro no movimento negro é sinônimo de resistência, ancestralidade, cultura, e representatividade. Depois de muito tempo rechaçados na sociedade, homens e mulheres estão conseguindo se libertar dos padrões e cada vez mais seus cabelos crespos e cacheados estão tomando conta dos espaços. 

Se você ficou curioso para saber o porque o cabelo afro no movimento negro é tão importante, continue lendo esse post e saiba mais. 

O orgulho do cabelo afro no movimento negro

Muito mais do que somente um cabelo, o cabelo afro no movimento negro é sinônimo de muita representatividade e enaltecimento de suas origens, isso porque por várias e várias vezes na histórico o cabelo afro foi discriminado e estigmatizado dentro da sociedade como algo feio, de mau odor e relacionado a algo que não deveria ser reproduzido, assim como toda a história, costumes, e cultura do povo preto, sempre silenciada e invisibilizada.  

O orgulho do cabelo afro. Fonte/Reprodução: original.

Com o passar do tempo e o fortalecimento de coletivos afro que reforçaram a toda comunidade a importância de celebrar seus cabelos, seus traços e sua história, começamos a ter pessoas pretas plenamente satisfeitas com suas origens e todos os elementos que a compõem, em especial seus cabelos tão marginalizados e criticados na sociedade. 

Raspagem de cabelo forçadas

A raspagem dos cabelos é uma passagem da história que ressalta o tremendo racismo e discriminação de pessoas pretas e seus cabelos. Os homens, geralmente mais prejudicados nesse aspecto, tinham seus cabelos raspados e eram expostos a trabalhos exaustivos e debaixo de sol escaldante sem nenhuma proteção na cabeça, já que o cabelo responsável por fazer esse papel era cortado. 

Em um recorte da história, temos o surgimento da durag (em tradução livre “feita de trapos”), um acessório criado por negros afro-americanos no século XIX feito justamente para que suas cabeças ficassem protegidas do sol, insetos e qualquer outra coisa que pudesse atingir essa parte desprotegida. 

As mulheres também eram penalizadas pelas sinhás, que com ciúmes de seus maridos e das mulheres que eram violentadas por homens brancos usavam o corte de cabelo nas escravas para punição e tortura.

O movimento Rastafari 

O movimento rastafari nasce da necessidade de enaltecer a estética negra e sua beleza e com isso a partir da década de 1930 na Jamaica, alguns jamaicanos acreditam que a coroação de Ras Tafari (um imperador) era uma profecia a ser cumprida e que esse imperador tinha o papel de novo messias. 

Dessa forma, eles seriam soltos por Ras Tafari, que os tiraria da miséria os levando para Àfrica, que eles acreditavam ser a terra de seus antepassados. 

Esse movimento, além de sua ancestralidade e religiosidade se fundamenta em algumas características, entre elas as roupas coloridas, os dreadlocks nos cabelos e a figura importante do cantor de reggae jamaicano, Bob Marley. 

O movimento Negritude

Ainda na década de 1930, Aimé Cesarie e Léopold Senghor, ambos políticos e escritores começaram a valorizar em suas obras o povo negro, com base um novo olhar em suas raízes africanas, numa época em que a Europa depreciava qualquer coisa vinda da Àfrica, em especial as pessoas e seus costumes. 

“Preto é bonito!’

O discurso “Black is beautiful” foi feito em 1858, por um abolicionista americano chamado John Swett Rock, que durante sua fala enalteceu elementos característicos dos negros. 

Com base nesse discurso, a expressão “preto é bonito” começa a ser utilizada para equalizar as características negras da beleza, se impondo contra a uma imagem construída da população negra relacionada a algo feio. 

Os Panteras Negras e o Black Power

Na década de 1960, os movimentos de contracultura ganharam o mundo com suas reivindicações, entre eles o movimento dos panteras-negras, que lutava contra a segregação racial, que ainda era uma realidade nos Estados Unidos e os direitos civis dos negros, tendo como arma e símbolo de resistência o cabelo black power, que viria a ser um traço de destaque na estética dos negros afro-americanos. 

Movimentos como este, ajudaram a fortalecer o discurso contra o racismo, além de inspirar novas frentes ativistas, formada por jovens negros cheios de ideias em diversos países, incluindo o Brasil. 

As tranças africanas

As tranças africanas, em especial a nagô, carregam muita ancestralidade e cultura passadas de geração em geração entre as famílias. Sua origem vem da Suméria, onde o penteado mais comum entre as mulheres eram as tranças e em várias partes da África as tranças possuem seu próprio simbolismo e história as tornando ancestrais e representativas para aquele povo. 

A ancestralidade sendo respeitada. Fonte/Reprodução: original.

Vale lembrar que as tranças em geral tem origem africana e serviam para identificar as diferentes tribos, que de acordo com seus penteados era possível saber de onde pertenciam. 

Atualmente, o hábito de usar as tranças é mais uma forma de reforçar o orgulho do cabelo afro no movimento negro, com cores, tamanhos variados e desenhos diferenciados, trazendo uma identidade ainda mais forte para o povo negro. 

A Marcha do Orgulho Crespo

A Marcha surgiu em São Paulo no ano de 2015 e pretende celebrar o empoderamento negro assim como a representatividade e o cabelo natural. 

Conforme a lei 16.682/2018, no dia 26 de Julho é celebrado o dia do orgulho crespo em São paulo, enaltecendo a beleza negra de maneira ativista a colocando como um símbolo de resistência e luta. 

O cabelo afro no movimento preto possui uma parcela muito importante na luta contra o racismo e ao direito de pertencimento da população preta na sociedade, utilizando seus códigos e seu cabelo como ferramentas de resistência e representatividade. 


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2 respostas para “A importância do cabelo afro no movimento negro”

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